Físico brasileiro co-descobridor dos mésons, partículas cuja massa fica entre a do elétron e a do próton. Mais tarde, conseguiu produzir artificialmente essas partículas.

De origem italiana, seu nome completo era Cesare Mansueto Giulio Lattes. Nasceu em Curitiba, em 11 de julho de 1924. Diplomou-se em Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), em 1943. Em 1947, esteve nos Andes bolivianos com a finalidade de continuar as pesquisas do físico norte-americano Carl David Anderson, responsável em 1932 pela descoberta do pósitron quando estudava fotografias de raios cósmicos.

A atividade de Lattes consistiu em expor chapas fotográficas à ação dos raios cósmicos. Ao examiná-las, com o físico italiano Giuseppe Occhialini (1908-1994) e o físico inglês Cecil Frank Powell (1903-1969), detectou experimentalmente a existência dos mésons pesados, ou píons, ou méson-pi, que se desintegram em um outro tipo de méson – o múon ou méson-mu. Naquele ano, ao regressar ao Brasil, foi nomeado professor da Universidade de São Paulo.

Em colaboração com Eugene Gardner, produziu artificialmente mésons ao acelerar partículas alfa no acelerador de partículas síncro-cíclotron da Universidade de Berkeley, em 1948. No Brasil, participou ativamente da fundação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Orientou o grupo de cientistas brasileiros e japoneses que, em 1969, determinou a massa das “bolas de fogo” – fenômeno oriundo do choque intenso de partículas com energia muito alta e que se acredita serem nuvens de mésons. Tal registro experimental foi possível com a exposição de chapas especiais de chumbo aos raios cósmicos, durante anos, no pico de Chacaltaya, Bolívia. Em 1978, foi condecorado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) com o prêmio de ciências Bernardo Houssay, por sua contribuição às pesquisas e ao desenvolvimento da física na América Latina.

Fonte: Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.