Sabotagem – Base de Alcântara

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REPASSANDO…….

Sabotagem americana: eu denunciei

Em 1997, quando exercia a função de repórter correspondente da CBN, em Brasília, recebi a informação de uma fonte de minha confiança, dando conta de que o Governo Brasileiro temia por uma sabotagem americana ao primeiro teste de lançamento do VLS ? Veículo Lançador de Satélites. Minha fonte era um oficial da Aeronáutica, envolvido no projeto do foguete.

Segundo denunciei em reportagem na época, o Governo estava tomando precauções adicionais para evitar tal sabotagem, como a ampliação da zona de interdição aérea de 50 para 100 km. Ou seja, nenhuma aeronave poderia invadir este espaço aéreo durante os procedimentos de lançamento, sob risco de ser abatida.

Segundo havia me informado esse oficial da Aeronáutica, em todos os testes com os veículos sonda – os estágios do VLS, aconteceram violações da zona de interdição aérea. Segundo esse oficial, tratava-se de um avião-radar E-2C Hawkey, dos Estados Unidos. Esse avião, segundo narrou à época, emitia interferência eletrônica suficiente para prejudicar os testes. Os jatos de interceptação da FAB chegaram a ser acionados, mas não conseguiam o contato.

O lançamento do VLS, apesar dos procedimentos de segurança, não deu certo. Uma falha forçou as equipes em terra a destruírem o foguete em pleno ar. A mesma coisa aconteceu em 99, na segunda tentativa de lançamento. Sabotagem? Segundo minha fonte, sim.

Depois de minha reportagem, passei a ser vigiado de perto por dois homens, aparentando agentes da CIA. Os dois me seguiam a todos os lugares que eu fosse. Cheguei até a pedir que a CBN providenciasse segurança para mim. Eram dois branquelos de terno num Santana cinza chumbo.

Os supostos agentes da CIA só largaram do meu pé depois de um desmentido do Governo Brasileiro. O presidente da Agência Espacial Brasileira, à época, me chamou para uma entrevista e desmentiu os rumores de sabotagem. Ele desmentiu sim, mas sem convicção. Não foi convincente. Ele nem mesmo se esforçou para ser convincente. Acho que ele não quis ser convincente.

Por quê os americanos estão sabotando nosso programa espacial? Segundo esse mesmo oficial da Aeronáutica, são três os motivos: em primeiro lugar, porque a tecnologia do VLS é russa. Os russos nos deram informações suficientes para um pontapé inicial.

Em segundo lugar, estamos entrando num rico filão do mercado comercial, o de lançamento de satélites. A base de Alcântara está próxima da linha do Equador e isso faz com que os lançamentos se tornem bem mais baratos que os da Base de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, por exemplo. De Alcântara é possível lançar um foguete a um custo três vezes menor. Com menos combustível necessário, aumenta-se a área útil do foguete e podemos lançar mais satélites. E em terceiro lugar, se o Brasil colocar uma ogiva nuclear na ponta do VLS, ele poderia se transformar num míssil balístico transcontinental. Seríamos mais um país a ameaçar a soberania americana. A questão é: por quê o Governo Brasileiro se esforça tanto para descartar as hipóteses de sabotagem?

Em 1997 conseguiram abafar minha denúncia e evitar um incidente diplomático. Mas naquela época não havia vítimas. Desta vez, 21 brasileiros estão mortos e o Governo continua tapando o sol com a peneira.

Atribuído a Fábio Paiva – jornalista

Internacionalização da Amazônia

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Essa merece ser lida. Afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos estadunidenses…

Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta: “De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia,posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um pais. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrarias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo.O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um País.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da divida. Comecemos usando essa divida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!

Atribuído a Cristóvão Buarque

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